sexta-feira, 31 de outubro de 2008

A menina Afegã

fotos de Sharbat Gula com 12 Anos

Sharbat Gula foi fotografada quando tinha 12 anos pelo fotógrafo Steve McCurry, em junho de 1984. Foi no acampamento de refugiados Nasir Bagh do Paquistão durante a guerra contra a invasão soviética. Sua foto foi publicada na capa da National Geographic em junho de 1985 e, devido a seu expressivo rosto de olhos verdes, a capa converteu-se numa das mais famosas da revista e do mundo. No entanto, naquele tempo ninguém sabia o nome da garota. O mesmo homem que a fotografou realizou uma busca à jovem que durou exatos 17 anos. Em janeiro de 2002, encontrou a menina, já uma mulher de 30 anos e pôde saber seu nome. Sharbat Gula vive numa aldeia remota do Afeganistão, é uma mulher tradicional, casada e mãe de três filhos. Ela regressou ao Afeganistão em 1992.

fotos de Sharbat Gula com e 29 ou 30 anos
Li uma reportagem onde apareceu a foto da menina afegã, e fui procurar algo sobre o tema.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

SONHOS


Sonhos. Afinal, o que é sonho?

Sonhar seria querer o impossível?

Sonho é querer? Que loucura!

Acho que sonho pode ser um...

Um, não; dois gritos da alma

E a alma grita? Que bobagem...

Imaginação, quero passagem

Preciso definir o que é sonho!

Se sonhar é lançar-se no espaço,

Sonho é mergulhar no infinito

Mergulhar no infinito? Que miragem...

Sonhar é a vontade de ver de novo

Não! Isso é definição de saudade

Está muito difícil, que crueldade!

Sonho seria o mesmo que devaneio?...

Se é, para que tanto rodeio!

Não sou poeta, para que tanta quimera!

Já sei, sonho é ter amizade sincera

É ter um grande amor nos braços

É esquecer todos os fracassos

É dar e receber beijos de ternura

É fazer do amor uma doce loucura

É nutrir sentimento bem definido

É sentir um amor não dividido

É sentir grande paixão no peito

É isso mesmo, falo do meu jeito

Nada de palavras da poesia cadente

É assim que eu sonho o meu sonho

Ah! sonho, você mata a gente!
Wenceslau da Cunha

Confira este poema, quem sabe um dia poderemos comprar sonhos num super mercado!!!
Os sonhos franqueiam-nos a entrada em todas as portas.
Devemos adiar os sonhos e não cancelá-los.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

METADE






"Que a força do medo que tenho
não me impeça de ver o que anseio
que a morte de tudo em que acredito
não me tape os ouvidos e a boca
porque metade de mim é o que eu grito
mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
seja linda ainda que tristeza
que a mulher que amo seja pra sempre amada
mesmo que distante
porque metade de mim é partida
mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
apenas respeitadas como a única coisa
que resta a um homem inundado de sentimentos
porque metade de mim é o que ouço
mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz que eu mereço
e que essa tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada
porque metade de mim é o que penso
mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste
e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
que o espelho reflita em meu rosto num doce sorriso
que eu me lembro ter dado na infância
porque metade de mim é a lembrança do que fui
a outra metade não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
pra me fazer aquietar o espírito
e que o teu silêncio me fale cada vez mais
porque metade de mim é abrigo
mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
mesmo que ela não saiba
e que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
porque metade de mim é platéia
e a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada
porque metade de mim é amor
e a outra metade também"
É PARA DE FATO REFLETIRMOS SOBRE A LETRA DE DESSA LINDA MÚSICA!

sábado, 18 de outubro de 2008

MULHER OU ANJO?


Mulher ou anjo?

Certo dia parei para observar as mulheres e só pude concluir uma coisa: elas não são humanas. São espiãs. Espiãs de Deus, disfarçadas entre nós. Pare pra refletir sobre o sexto sentido. Alguém duvida de que ele exista? E como explicar que ela saiba exatamente qual mulher, entre as presentes, em uma reunião, seja a que dá em cima de você? E quando ela antecipa que alguém tem algo contra você, que alguém está ficando doente ou que você quer terminar o relacionamento? E quando ela diz que vai fazer frio e manda você levar um casaco? Rio de Janeiro, 40 graus, você vai pegar um avião pra São Paulo. Só meia-hora de vôo. Ela fala pra você levar um casaco, porque "vai fazer frio". Você não leva. O que acontece? O avião fica preso no tráfego, em terra, por quase duas horas, depois que você já entrou, antes de decolar. O ar condicionado chega a pingar gelo de tanto frio que faz lá dentro! Começam os murmúrios: "bem que minha mãe avisou"; "a minha namorada chegou a tirar meu casaco do armário e eu não quis trazer"... As passageiras simplesmente tiram os casacos das bolsas. Como é que elas sabiam? "Leve um sapato extra na mala, querido. Vai que você pisa numa poça... "Se você não levar o "sapato extra", meu amigo, leve dinheiro extra para comprar outro. Pois o seu estará, sem dúvida, molhado... O sexto-sentido não faz sentido! É a comunicação direta com Deus! Assim é muito fácil... As mulheres são mães! E preparam, literalmente, gente dentro de si. Será que Deus confiaria tamanha responsabilidade a um reles mortal? E não satisfeitas em gerar a vida, elas insistem em ensinar a vivê-la, de forma íntegra, oferecendo amor incondicional e disponibilidade integral. Fala-se em "praga de mãe", "amor de mãe", "coração de mãe"... Tudo isso é meio mágico... Talvez Ele tenha instalado o dispositivo "coração de mãe" nos "anjos da guarda" de Seus filhos (que, aliás, foram criados à Sua imagem e semelhança...). E sua beleza? No reino animal, em geral, o macho é o mais belo. O leão, o pavão, o condor... Nem é preciso dizer que a raça humana foge à regra.. As mulheres choram. Ou vazam? Ou extravasam? Homens também choram, mas é um choro diferente. As lágrimas das mulheres têm um não sei quê que não quer chorar, um não sei quê de fragilidade, um não sei quê de amor, um não sei quê de tempero divino, que tem um efeito devastador sobre os homens... É choro feminino. É choro de mulher... Já viram como as mulheres conversam com os olhos? Elas conseguem pedir uma a outra para mudar de assunto com apenas um olhar. Elas fazem um comentário sarcástico com outro olhar. E apontam uma terceira pessoa com outro olhar. Quantos tipos de olhar existem? Elas conhecem todos... Parece que freqüentam escolas diferentes das que freqüentam os homens! E é com um desses milhões de olhares que elas enfeitiçam os homens. En-fei-ti-çam! E tem mais! No tocante às profissões, por que se concentram nas áreas de Humanas? Para estudar os homens, é claro! Embora algumas disfarcem e estudem Exatas... Nem mesmo Freud se arriscou a adentrar nessa seara. Ele, que estudou, como poucos, o comportamento humano, disse que a mulher era "um continente obscuro". Quer evidência maior do que essa? Qualquer um que ama se aproxima de Deus. E com as mulheres também é assim. O amor as leva para perto dele, já que Ele é o próprio amor. Por isso dizem "estar nas nuvens", quando apaixonadas. É sabido que as mulheres confundem sexo e amor. E isso seria uma falha, se não obrigasse os homens a uma atitude mais sensível e respeitosa com a própria vida. Pena que eles nunca verão as mulheres-anjos que têm ao lado. Com todo esse amor de mãe, esposa e amiga, elas ainda são mulheres a maior parte do tempo. Mas elas são anjos depois do sexo-amor. É nessa hora que elas se sentem o próprio amor encarnado e voltam a ser anjos. E levitam. Algumas até voam. Mas os homens não sabem disso. E nem poderiam. Porque são tomados por um encantamento que os faz dormir nessa hora...
Luís Fernando Veríssimo

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Dânae


Não resisti!
Fiquei encantada, com a palestra que minha filha apresentou aqui em Fortaleza.
Um dos assunto, chamou minha atenção...
Uma personagem heróica que representa modelos do inconsciente que dizem muito sobre nós mesmos.
Dânae "Dedicada ao filho, com uma determinação que prescinde o homem, Dânae representa a função materna por excelência", afirma Liliana. A torre de bronze e a caixa de madeira simbolizam a relação intensa que liga mãe e filho. A maioria das mulheres tem o seu momento de Dânae quando prioriza a relação com o filho em detrimento de outras paixões e interesses.
Dânae (ou Dánae) foi, segundo a Mitologia grega, uma princesa que foi alvo do amor de Zeus, de quem teve um filho. Dânae era filha de Acrísio, Rei de Argos, e de Eurídice.
Desapontado por não ter herdeiros masculinos, Acrísio procura um oráculo, o qual respondeu-lhe que, mesmo se escondesse no fim da Terra, seria morto pelo seu neto, filho de Dânae.
A princesa era ainda virgem e, para que jamais tivesse um filho, o rei aprisionou-a numa torre de bronze (segundo a tradição, poderá tê-la escondido também num quarto subterrâneo, cujas paredes se ergueram em bronze, ou numa caverna), que manteve constantemente vigiada por seus guardas mais valorosos. Pretendia, assim, evitar que ela lhe desse um herdeiro, seu futuro assassino.
Apesar de todos esses cuidados, Zeus, tomado de amores pela jovem e bela princesa, transmuta-se numa chuva de ouro, e penetra no edifício por um orifício no teto deste, caíndo sobre o colo de Dânae, engravidando-a.
Foi assim gerado Perseu. Tomando ciência do ocorrido, ordenou Acrísio que fossem, mãe e filho, lançados ao mar, dentro de um baú de madeira. Foi a solução encontrada para que não atraísse contra si a ira do deus, matando-lhe um filho: as águas, supostamente, matá-los-iam.
Mas o destino não favoreceu Acrísio: a pedido de Zeus, Poseidon acalmou os mares, e ambos sobreviveram. Levados pelas correntes até a ilha de Sérifo, foram encontrados por pescadores que então os levaram até o monarca local, Polidetes (ou Polidectes).
Acolhidos por Dites (ou Dictis), irmão do soberano, este educa a criança. O rei acaba apaixonando-se por Dânae. Após alguns anos, pretende desposá-la mas, temendo que o jovem filho se opusesse, ordena-lhe que mate a terrível Medusa, esperando que este fracassasse, morrendo. Este monstro petrificava todos aqueles atingidos por seu olhar, mas o jovem herói consegue realizar seu intento e, na volta, jogos atléticos comemorativos são realizados em Lárissa.
Ali, na platéia, está presente o rei Acrísio. Este é alvejado por um dardo (ou disco, nalgumas versões) lançado por Perseu, cumprindo assim a profecia.
Dizem que enquanto a humanidade dorme, deuses sedutores costumam viajar em chuvas de ouro!
Bonito não é?

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Ai, Que Dor É Essa.


Ai, que dor é essa?

Essa que me arrebata da razão e me impede de ser feliz.

Essa dor tão doída que me tira a consciência, a sensatez...

Ai, que dor é essa?

Essa dor que ninguém pode sentir por mim

Dor essa, que destrói o roseiral de minha alma, do meu coração.

Ai, que dor tão grande, que me arremete de volta ao ponto de partida

Que queima e machuca o local da ferida

Ai que dor tão distante, que não posso alcança-la, nem cura-la.

Essa dor, sem sentido, que sinto todas as noites antes de dormir

E ao acordar pela manhã, volto a sentir.

Dor essa, que não posso dividir, só sentir...

Ai, que dor é essa?

Que me tira o gosto do café matinal, que amarga meu doce

Que grita em mim mais forte que eu.

Que abafa minha voz, que não me acalanta, só dói.

Ai, que dor é essa?

Que dor é essa?


Esta é uma poesia de um grande amigo.
Juscelino Maciel.

CARNE DE PESCOÇO


Gosto dos malucos, doidos, desgraçados

exagerados, tristes, apaixonados

que praticam um suicídio tão diário

por sentirem tanta sede e gana de viver


Gosto dos que crêem na própria insanidade

por saberem-se humanos, limitados, miseráveis

e com isto exercitam a humildade

conscientes de estarem aprisionados

nesta pobre casca humana até morrer


Não gosto de ares de superioridade

(os parâmetros são tão tênues e precários!)

não concedo a ninguém autoridade

- Oh, esses deuses e deusas sectários -

pontificando sobre a vida e o que fazer


Pois na minha prisão de carne e osso

sou única, sou livre, sou colosso

sou meu anjo e meu algoz, fora-da-lei

sou coisa feita e carne de pescoço.

ELIANE STODUCTO.

Não entendo.


Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.

Clarice Lispector