domingo, 31 de julho de 2011

CARTA AOS PAIS





Existia um casal no interior da Inglaterra que morava
 em uma pequena cidadezinha.

Esse casal tinha um único filho chamado John; John não se
dava muito bem com seus pais,

principalmente com o pai, ele era um rapaz muito rebelde.

Sempre que podia reclamava para sua mãe:


- Esse homem não me permite fazer nada, até pareço seu
escravo, ele só me faz trabalhar não posso nem se quer ir a cidade para ver meus amigos.

Um dia quando John estava mais velho, brigou tanto, mas tanto
 com seu pai, que resolveu sair de casa.

A mãe insistiu :

- Meu filho não vá, vocês vão esquecer essa briga, é passageira.

John virou-se para a mãe e disse:

- Vocês não me amam, vou embora daqui.

John foi para a cidade grande e devido ao trabalho com seu pai, ele pode arrumar um emprego porque sabia uma profissão e pode assim se sustentar.

Muitos anos se passaram e John se casou com uma linda moça, anos depois teve seu primeiro filho.

Num determinado dia, sua esposa lhe disse que queria que os pais dele conhecesse seu filho.

John pensou um pouco e disse:

- Não, meus pais não, eles não me amam, eles não vão querer conhecer meu filho.

E alem do mais, muitos anos se passaram e eles já devem ter morrido.

Dois anos depois John teve um outro filho e quando as crianças estavam brincando o mais velho lhe fez uma pergunta que cortou seu coração:

- Papai, nós só conhecemos o vovô e a vovó, os pais da mamãe. Você não tem papai nem mamãe como nós ?

Naquele instante John resolveu rever seu pais, tentar uma reaproximação.

E resolveu escrever uma carta aos pais que dizia:

- Oi. Aqui é o John, eu me casei e tive dois filhos. Eles querem conhecer vocês; Não sei se depois desses longos anos vocês me perdoaram. Não sei se vão querer me ver, mas irei visitar vocês com minha família. Se me perdoaram, coloque um pano branco onde eu possa ver, porque estarei indo de trem que passa bem em frente a casa de vocês e assim eu saberei se posso voltar ou não.

John fez todos os preparativos, arrumou as malas e as crianças, pegou o trem mas estava muito nervoso.

- Será que eles receberam a carta?, será que me perdoaram ?,
será que estão vivos ?

Não parava de andar pra lá e pra cá no trem; Quando chegaram numa estação anterior a de seu destino, John não conseguia mais se conter, ele suava frio.

O trem saiu e John grudado na janela como a uma criança
não via a hora de chegar a sua antiga casa.

O trem entrou em uma curva e John sabia que depois daquela curva ele conseguiria ver a casa de seus pais

- Após esta curva conseguiremos ver a casa do vovô e da vovó, disse John.

O trem terminou a curva e John e sua família pode ver a casa.
Ela estava cheia de lençóis brancos, nas cercas, nas janelas
 e o mais comovente, um casal de velhinhos acenando com lenços brancos para o trem
em sinal do perdão a seu filho.


Hoje existe uma pessoa em algum lugar, precisando reparar seus erros....Todos nós erramos...
Se você tem que pedir perdão, ou liberar o perdão de alguém faça hoje, não deixe para amanhã.

Amanhã poderá ser tarde demais.

E entre nós, como é ruim ter que viver com mágoa ou rancor de alguém, faz mau principalmente para quem guarda!!!

Fale, telefone, mande uma carta ou um e-mail ...

Acene com um lenço branco...

Ela com certeza irá estar esperando...

Ou então apenas Sorria !!!
Ela entenderá...



Desejo que você tenha um dia abençoado!!!

Beijos no seu coração

AUTORIA DESCONHECIDA

    sábado, 30 de julho de 2011

    SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO

                                                                          Salvador Dalí


    Há quem diga que todas as noites são de sonhos.
    Mas há também quem garanta que nem todas, só as de verão.
    No fundo,isto não tem muita importância.
    O que interessa mesmo não é à noite em si, são os sonhos.
    Sonhos que o homem sonha sempre, em todos os lugares,
    em todas as épocas do ano,dormindo ou acordado.
    William Shakespeare

    segunda-feira, 18 de julho de 2011

    MEU DEUS, ME DÊ A CORAGEM

                                                                                       William Etty: Nude woman asleep
    Meu Deus, me dê a coragem
    de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites,
    todos vazios de Tua presença.
    Me dê a coragem de considerar esse vazio
    como uma plenitude.
    Faça com que eu seja a Tua amante humilde,
    entrelaçada a Ti em êxtase.
    Faça com que eu possa falar
    com este vazio tremendo
    e receber como resposta
    o amor materno que nutre e embala.
    Faça com que eu tenha a coragem de Te amar,
    sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo.
    Faça com que a solidão não me destrua.
    Faça com que minha solidão me sirva de companhia.
    Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar.
    Faça com que eu saiba ficar com o nada
    e mesmo assim me sentir
    como se estivesse plena de tudo.
    Receba em teus braços
    o meu pecado de pensar. 
    Clarice Lispector

    PEDAÇO DE MIM

                                                                                  Pintura de John William Waterhouse
    Oh, pedaço de mim
    Oh, metade afastada de mim
    Leva o teu olhar
    Que a saudade é o pior tormento
    É pior do que o esquecimento
    É pior do que se entrevar
    Oh, pedaço de mim
    Oh, metade exilada de mim
    Leva os teus sinais
    Que a saudade dói como um barco
    Que aos poucos descreve um arco
    E evita atracar no cais
    Oh, pedaço de mim
    Oh, metade arrancada de mim
    Leva o vulto teu
    Que a saudade é o revés de um parto
    A saudade é arrumar o quarto
    Do filho que já morreu
    Oh, pedaço de mim
    Oh, metade amputada de mim
    Leva o que há de ti
    Que a saudade dói latejada
    É assim como uma fisgada
    No membro que já perdi
    Oh, pedaço de mim
    Oh, metade adorada de mim
    Leva os olhos meus
    Que a saudade é o pior castigo
    E eu não quero levar comigo
    A mortalha do amor
    Adeus
    Composição: Chico Buarque