terça-feira, 10 de julho de 2007

QUEM É VOCÊ?


Quem é você
que chega de mansinho
me abraça bem devagarinho
fazendo meu corpo estremecer.

Quem é você
que a cada toque incendeia
transforma-me em chama
solto labaredas
queimo desejos.

Quem é você
que arranca suspiros de meu peito
gemidos gritos
no leito meu néctar por você derramo.

Quem é você
que chega de mansinho
suga de minha boca todo vinho ...

Quem é você?
Angela Nassim

ANJO REBELDE



Surgiu do nada

Com jeito rebelde, livre,

Solto e arrojado...

Me mostrou a vida,

Me ensinou a sorrir...

Fez-se de homem,

À um menino

Que ama,

Que chora,

Sem medo

De expor o que sente

Riu do meu riso...

Chorou com minha tristeza...

Brincou com minha incerteza...

Acalmou meu coração...

Buscou respostas,

Respondeu dúvidas,

Zombou da fraqueza..

Mostrando que o presente,

É importante... é real

Que a nós só resta viver,

Sem receio de mal algum...

Pois amar é vida,

Trás paz, alegria,

Faz bem para o ser,

E me amou como nenhum...

Angela Bretas.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

DESEJO



" Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim
Mas se for, saiba ser sem se desesperar
Desejo também que tenha amigos
Que mesmo maus e inconseqüentes
Sejam corajosos e fiéis
E que pelo menos em um deles
Você possa confiar sem duvidar
E porque a vida é assim
Desejo ainda que você tenha inimigos
Nem muitos, nem poucos
Mas na medida exata para que
Algumas vezes você se interpele
A respeito de suas próprias certezas.
E que entre eles
Haja pelo menos um que seja justo
Desejo depois, que você seja útil
Mas não insubstituível
E que nos maus momentos
Quando não restar mais nada
Essa utilidade seja suficiente
Para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante
Não com os que erram pouco
Porque isso é fácil
Mas com os que erram muito e irremediavelmente
E que fazendo bom uso dessa tolerância
Você sirva de exemplo aos outros
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais
E que sendo maduro
Não insista em rejuvenescer
E que sendo velho
Não se dedique ao desespero
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor
Desejo, por sinal, que você seja triste
Não o ano todo, mas apenas um dia
Mas que nesse dia Descubra que o riso diário é bom
O riso habitual é insosso
E o riso constante é insano.
Desejo que você descubra
Com o máximo de urgência
Acima e a respeito de tudo
Que existem oprimidos, injustiçados e infelizes
E que estão bem à sua volta
Desejo ainda
Que você afague um gato, alimente um cuco
E ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque assim, você se sentirá bem por nada
Desejo também
Que você plante uma semente, por menor que seja
E acompanhe o seu crescimento
Para que você saiba
De quantas muitas vidas é feita uma árvore
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro
Porque é preciso ser prático
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele na sua frente e diga: "Isso é meu"
Só para que fique bem claro
Quem é o dono de quem
Desejo também
Que nenhum de seus afetos morra
Por eles e por você
Mas que se morrer
Você possa chorar sem se lamentar
E sofrer sem se culpar
Desejo por fim
Que você sendo homem, tenha uma boa mulher
E que sendo mulher, tenha um bom homem
Que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes
E quando estiverem exaustos e sorridentes
Ainda haja amor pra recomeçar
E se tudo isso acontecer
Não tenho mais nada a lhe desejar"

Victor Hugo

quinta-feira, 7 de junho de 2007

"Instantes"


Se eu pudesse viver novamente a minha vida, na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais.
Seria mais tolo ainda do que tenho sido, na verdade bem poucas coisas levaria a serio.
Seria menos higiênico.
Correria mais riscos, viajaria mais, contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas, nadaria mais rios.
Iria a mais lugares onde nunca fui, tomaria mais sorvete e menos lentilha, teria mais problemas reais e menos imaginários.
Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e produtivamente cada minuto da sua vida. Claro que tive momentos de alegria.
Mas, se pudesse voltar a viver trataria de ter só bons momentos.
Porque, se não sabem, disso é feita a vida, só de momentos, não percas o agora.
Eu era um desses que nunca ia a parte alguma sem um termômetro, uma bolsa de água quente, um guarda chuva e um pára-quedas.
Se voltasse a viver viajaria mais leve.
Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço no começo da primavera e continuaria assim até o fim de outono.
Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanheceres, brincaria mais com as crianças, se eu tivesse outra vez uma vida pela frente.
Mas, já viram, tenho 85 anos e sei que estou morrendo.
Jorge Luiz Borges (poeta argentino)

O HOMEM E A MULHER.


Homem é a mais elevada das criaturas,
A mulher o mais sublime dos ideais,
Deus fez para o homem um trono, para a mulher, um altar.
O trono exalta, o altar santifica.
O homem é o cérebro, a mulher o coração.
O cérebro fabrica luz, o coração produz o Amor.
A luz fecunda, o Amor ressuscita.
O homem é forte pela razão, a mulher é invencível pelas lágrimas.
A razão convence, as lágrimas comovem.
O homem é capaz de todos os heroísmos;
A mulher é capaz de todos os martírios.
O heroísmo enobrece, o martírio sublima.
O homem tem a supremacia, a mulher a preferência.
A supremacia significa a forca, a preferência representa o direito.
O homem é um génio, a mulher um anjo.
O génio é imensurável, o anjo é indefinível.
A aspiração do homem é a suprema gloria.
A aspiração da mulher é a virtude extrema.
A glória tudo engrandece, a virtude tudo diviniza.
O homem é um código, a mulher, um evangelho
O código corrige, o evangelho aperfeiçoa.
O homem pensa, a mulher sonha.
Pensar é ter no crânio uma larva
Sonhar é ter na fronte uma auréola.
O homem é um oceano, a mulher é um lago.
O oceano tem dominar a pérola que adorna, o lago, a poesia que deslumbra.
O homem é a águia que voa, a mulher o rouxinol que canta.
Voar é o espaço, cantar e conquistar a alma.
O homem é um templo, a mulher o sacrário.
Ante o templo nós descobrimos, ante o sacrário nós ajoelhamos.
Enfim, o homem está colocado onde termina a Terra.
A mulher onde começa o Céu.

Victor Hugo

terça-feira, 5 de junho de 2007

SE


Se, ao final desta existência,
Alguma ansiedade me restar
E conseguir me perturbar;
Se eu me debater aflito
No conflito, na discórdia...
Se ainda ocultar verdades
Para ocultar-me,
Para ofuscar-me com fantasias por mim criadas...
Se restar abatimento e revolta
Pelo que não consegui
Possuir, fazer, dizer e mesmo ser...
Se eu retiver um pouco mais
Do pouco que é necessário
E persistir indiferente ao grande pranto do mundo...
Se algum ressentimento,
Algum ferimento
Impedir-me do imenso alívio
Que é o irrestritamente perdoar,
E, mais ainda,
Se ainda não souber sinceramente orar
Por quem me agrediu e injustiçou...
Se continuar a mediocremente
Denunciar o cisco no olho do outro
Sem conseguir vencer a treva e a trave
Em meu próprio...
Se seguir protestando
Reclamando, contestando,
Exigindo que o mundo mude
Sem qualquer esforço para mudar eu...
Se, indigente da incondicional alegria interior,
Em queixas, ais e lamúrias,
Persistir e buscar consolo, conforto, simpatia
Para a minha ainda imperiosa angústia...
Se, ainda incapazpara a beatitude das almas santas,
precisar dos prazeres medíocres que o mundo vende...
Se insistir ainda que o mundo silencie
Para que possa embeber-me de silêncio,
Sem saber realizá-lo em mim...
Se minha fortaleza e segurança
São ainda construídas com os materiais
Grosseiros e frágeis
Que o mundo empresta,
E eu neles ainda acredito...
Se, imprudente e cegamente,
Continuar desejando
Adquirir,
Multiplicar,
E reter
Valores, coisas, pessoas, posições, ideologias,
Na ânsia de ser feliz...
Se, ainda presa do grande embuste,Insistir e persistir iludido
Com a importância que me dou...
Se, ao fim de meus dias,
ContinuarSem escutar, sem entender, sem atender,
Sem realizar o Cristo, que,
Dentro de mim,
Eu Sou,
Terei me perdido na multidão abortada
Dos perdulários dos divinos talentos,
Os talentos que a Vida
A todos confia,
E serei um fraco a mais,
Um traidor da própria vida,
Da Vida que investe em mim,
Que de mim espera
E que se vê frustrada
Diante de meu fim.
Se tudo isto acontecer
Terei parasitado a Vida
E inutilmente ocupado
O tempo
E o espaço
De Deus.
Terei meramente sido vencido
Pelo fim,
Sem ter atingido a Meta.
Hermógenes.

terça-feira, 29 de maio de 2007

Os espinhos.


Os espinhos que me feriram foram produzidos pelo arbusto que plantei.

(Byron)

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Sinto vergonha de mim.


Sinto vergonha de mim
Por ter sido educador de parte desse povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.
Sinto vergonha de mim
por ter feito parte de uma era
Que lutou pela democracia,
pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos,
simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios,
a ausência da sensatez
no julgamento da verdade,
a negligência com a família,
célula-mater da sociedade,
a demasiada preocupação
com o "eu" feliz a qualquer custo,
buscando a tal "felicidade"em caminhos eivados de desrespeito
para com o seu próximo.
Tenho vergonha de mim
pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade,
a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido,
a tantos "floreios" para justificar
atos criminosos,
a tanta relutância
em esquecer a antiga posição de sempre "contestar",
voltar atrás e mudar o futuro.
'Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo
que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer...
Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minhas desilusões
e do meu cansaço.
Não tenho para onde ir
pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir meu Hino
e jamais usei a minha Bandeira para enxugar o meu suor
ou enrolar meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade.
Ao lado da vergonha de mim,
tenho tanta pena de ti, povo brasileiro!
De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem-se os poderes
nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
a rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto.
Cleide Canton.

terça-feira, 22 de maio de 2007

Quero te namorar


Quero te namorar
Quero namorar de mansinho
daquele velho jeitinho
exercitando com carinhoa arte de conquistar
Dançar de rosto colado
sentindo o cheiro da pele
palavras que a respiração
consegue dizer sem falar
Namorar teu olhar maroto
que me devora aos poucos
contendo sentimentos loucos
que juntos vamos liberar
Quero namorar tua boca
a sensualidade da voz rouca
nas historias que tem pra contar
E como namorado, amante e amigo
quero estar sempre contigo
na cama, na grama, na paz
onde encontro o sentido do ser mulher feliz demais.
Beatriz

Charles Chaplin


"Já perdoei erros quase imperdoáveis, tentei substituir pessoas insubstituíveis e esquecer pessoas inesquecíveis. Já fiz coisas por impulso, já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei me decepcionar, mas também decepcionei alguém. Já abracei para proteger, já dei risada quando não podia, fiz amigos eternos, amei e fui amado, mas também fui rejeitado, fui amado e não amei. Já gritei e pulei de tanta felicidade, já vivi de AMOR e quebrei a cara muitas vezes! Já CHOREI ouvindo música e vendo fotos, já liguei só para ouvir a voz, me apaixonei por um sorriso, já pensei que fosse morrer de tanta saudade, tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo)! Mas vivi!Viva! Não passo pela vida... você também não deveria passar! Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão, perder com classe e vencer com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve e a vida é muito para ser insignificante."
Charles Chaplin

segunda-feira, 21 de maio de 2007

O Mouro Otelo


"Os ciumentos não precisam de causa para o ciúme: têm ciúme, nada mais. O ciúme é monstro que se gera em si mesmo e de si nasce".

- Ato III - Cena IV: Emília

O mouro Otelo, homem destemido e grande guerreiro, casado com a bela e jovem Desdêmona, torna-se governador e nomeia o Tenente Cássio como seu auxiliar principal, provocando assim a inveja de Lago, homem cínico que almejava o cargo. Para se vingar, Lago passa a envenenar Otelo com suas palavras, insinuando que a esposa e o Tenente o traem. Revelando toda a sua obscuridade da alma humana movida pela sede de vingança, Shakespeare mais uma vez nos surpreende e nos faz mergulhar nas profudenzas do comportamento humano.

quinta-feira, 17 de maio de 2007

SER OU NÃO SER...


Ser ou não ser... eis a questão.
Que é mais nobre para a alma?
suportar os dardos e arremessos do fado sempre adverso, ou armar-se contra um mar de desventuras e dar-lhes fim tentando resistir-lhes?
Morrer... dormir... mais nada...
Imaginar que um sono põe remate aos sofrimentos do coração e aos golpes infinitos que constituem a natural herança da carne, é solução para almejar-se.
Morrer... dormir... dormir... Talvez sonhar...
É aí que bate o ponto.
O não sabermos que sonhos poderá trazer o sono da morte, quando ao fim desenrolarmos toda a meada mortal, nos põe suspensos.
É essa idéia que torna verdadeira calamidade a vida assim tão longa!
Pois quem suportaria o escárnio e os golpes do mundo, as injustiças dos mais fortes, os maus-tratos dos tolos, a agonia do amor não retribuído, as leis amorosas, a implicância dos chefes e o desprezo da inépcia contra o mérito paciente, se estivesse em suas mãos obter sossego com um punhal?

Que fardos levaria nesta vida cansada, a suar, gemendo, se não por temer algo após a morte - terra desconhecida de cujo âmbito jamais ninguém voltou - que nos inibe a vontade, fazendo que aceitemos os males conhecidos, sem buscarmos refúgio noutros males ignorados?
De todos faz covardes a consciência.
Desta arte o natural frescor de nossa resolução definha sob a máscara do pensamento, e empresas momentosas se desviam da meta diante dessas reflexões, e até o nome de ação perdem.
Mas, silêncio! Aí vem vindo a bela Ofélia. Em tuas orações, ninfa, recorda-te dos meus pecados.

Willian Shakespeare
Hamlet.