quinta-feira, 29 de setembro de 2011

ORAÇÃO DO HOMEM QUE CORRE



SENHOR
Olho em volta de mim e veio a pressa de todos os homens...
Todos têm pressa pois precisam vencer o tempo, tão pouco tempo lhes deste...
A criança corre porque tem muito para brincar
E o tempo não lhe basta...
O adolescente corre porque tem muito que divertir
E o tempo não lhe basta...
O homem corre porque tem mil negócios a tratar
E o tempo não lhe basta...
A mulher corre porque precisa ganhar o tempo que perdeu
E o tempo não lhe basta...
Correm os carros pelas ruas, não importa se ferem ou matam.
Correm as motos, os ônibus, os caminhões.
Tudo corre, todos correm, e o tempo voa.
A conversa tranqüila e descompromissada não pode ser:
A falta de tempo não a permite.
O marido não conversa com a esposa: ele tem pressa e ela muito mais.
(Afinal deve recuperar o tempo que perdeu como simples dona-de-casa...)
O filho não conversa com o pai pois os amigos o esperam no bar.
E, afinal, o pai já está muito "coroa" para um papo legal...
Já não se passeia nas praças,
Não se anda pelas avenidas a olhar as vitrines,
Não se senta nos bancos para ouvir a banda
que tocava alegremente nos coretos enfeitados.
O mundo mudou.
O progresso veio correndo e com ele trouxe a correria.
Todos correm, não em busca de "ser mais" mas para "ter mais".
Ter mais dinheiro. Ter mais prestígio. Ter mais simpatia popular.
Ter olhares admirados. Ter a aprovação das multidões. Ter... Ter...Ter...
Olho em redor, Senhor,
E busco as mãos dada suavemente, os olhares serenos, os sorrisos calmos.
Ao invés do carinho inocente, vejo os beijos tórridos, carnais, sexuais.
Ao invés do namoro, vejo o "sarro".
Ao invés do amor, vejo o desejo.
Ao invés da paz, vejo a ansiedade.
Olho os céus e vejo a lua, as estrelas.
Todo o cosmos continua a girar na mesma velocidade de milhares de anos.
Só o homem, em sua tola vaidade, não descobre que o tempo continua o mesmo.
E que da vida que tanto quer tirar, em louca correria,
Somente tira o amargo sabor de vida que não viveu,
Do amor que não amou,
Da oração que não fez,
Porque corria, corria muito, até que para ele, num dia inesperado,
O tempo parou.
Amém!
(Autor Desconhecido)
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