sexta-feira, 14 de novembro de 2008

BARCO FANTASMA



Se tens ainda nas veias
Aquele sangue das vinhas
Se tens o gosto da oliva
Que antes tu tinhas, ha
Por mais que os barcos te levem
Por mais que ainda te entregues
Por mais que o corpo aceite
A alma não segue
Por mais feliz que tu sejas
Por mais que tenhas a mesa
Inda não é tu mesa
Que tanto desejas, ah
Por mais que ainda escondas
Ha sempre um Tejo nos quadros
Nos azulejos dos bares
Nos olhos molhados
Por mais que colhas o cravo
Por mais que tu creias
Inda não é teu cravo
Do campo e da aldeia
Por mais que te sintas em casa
Por mais que tenhas afeto
Inda não é tua casa
Teu canto, teu teto
Sonhas c'um barco fantasma
Sempre levando teu corpo
Pra junto d'alma que espera
Fincada no porto.
Ivan Lins
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