sexta-feira, 24 de julho de 2009

A HISTÓRIA DO ANÃO DE JARDIM TURISTA

Super engraçada esta historia do anão de jardim. Estátua, desaparecida há um ano, rodou o mundo na mala de um estudante. E trouxe fotos para provar. - A dona de casa inglesa Eve Stuart-Kelso abriu a porta de sua casa, em uma manhã há pouco mais de uma semana, e levou um susto. Ali estava, de volta ao lugar de onde ninguém nunca esperou que ele pudesse sair, o anão que enfeitava o seu jardim há tanto, tanto tempo que Eve nem sabe mais quanto. Murphy, nome da pequena estátua de gesso, havia desaparecido há quase um ano. Mas como se diz por aí, o bom filho à casa torna, e Murphy voltou com jeito de quem pede perdão. Trouxe na mala a explicação para tanto tempo afastado do lar: foi dar uma volta ao mundo. Um álbum com cerca de 200 fotos - o anãozinho aparece posando em uma moto, refrescando-se no mar, passeando num teleférico e curtindo várias outras atrações - estava ao lado do boneco. Havia também um pacote com os carimbos de entrada dos lugares visitados, como África do Sul, Moçambique, Nova Zelândia, Austrália, Cingapura, Tailândia, China, Laos, Camboja e Vietnã. Roteiro de fazer inveja. Verdade seja dita: não se pode afirmar que Eve sentiu saudades. "Eu tinha até me esquecido dele." Mesmo assim, aceitou o fujão de volta. "Levei um susto, mas achei muito divertido. Foi o presente mais estranho que já recebi e fico pensando em quanta gente ele encontrou durante a viagem", disse. O anão, é claro, apresentou os seus motivos. Na carta que também o acompanhava na volta ao lar, contou que sentia "comichão nos pés" pela vida imóvel no jardim da casa, que fica em uma movimentada Avenida de Gloucester, cidade a 70 quilômetros de Londres. "Um anão de jardim tem muito tempo para refletir. Eu cheguei à conclusão de que o mundo é um lugar grande e há mais coisas na vida do que assistir ao trânsito de todos os dias e servir de suporte para que os gatos façam xixi em você", continua a carta. "Então, decidi me libertar do marasmo e procurar aventuras.” O mistério do desaparecimento de Murphy e de sua volta ao mundo foi desvendado na última quarta-feira pelo jornal inglês Daily Telégrafo. O estudante de Direito Simon Randles, de 22 anos, diz que decidiu fazer do boneco o seu companheiro de viagem em uma espécie de ano sabático. A inspiração veio do filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001): a personagem central rouba o anão do jardim de seu pai para que uma amiga, aeromoça, envie fotos dele pelo mundo e faça o pai ver as coisas boas que está perdendo na vida. Randles garante que não premeditou o furto. O estudante, que também vive em Gloucester, conta que simplesmente passou diante da casa e, ao ver Murphy, decidiu levá-lo porque estava "inacreditavelmente difícil" encontrar um anão. Voltou um dia antes da partida para buscar o companheiro. À proprietária, a quem foi apresentado, ele contou que chegou a sentir culpa pelo furto. Por isso, produziu o álbum "com as melhores fotos" para ela. Disse também que o anão "quebrou o gelo" em muitas situações na viagem e que "fez amizade com muita gente". Murphy, que pesa pouco mais de 3,5 quilos, só representou problema nos guichês de imigração, quando os scanners detectavam a presença do boneco e pediam para o estudante abrir a mala. A estátua voltou bastante estragada e, segundo a proprietária, sem os pés. Murphy considera isso prova de sua bravura: "Houve pontos altos e baixos, mas eu sobrevivi", diz, na carta. Ah, sim. O episódio pode ter conseqüências legais. Um porta-voz da polícia de Gloucester afirmou ao jornal inglês que "qualquer furto à propriedade de uma pessoa será tratado como crime pela polícia, mesmo que seja realizado como uma brincadeira”. Mas Eve não quer polícia no caso. "Eu só disse a Randles para não fazer mais isso.” Em todo caso, Murphy perdeu seu lugar no jardim. Por enquanto, o anãozinho fujão está morando dentro de casa.
(terça-feira, 19 de agosto de 2008-Mônica Nóbrega - O Estado de S.Paulo)
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