segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

AMOSTRA SEM VALOR


Li um poema no blog do José Manuel Brazão , do poeta António Gedeão “Poema do homem só” Achei tão lindo, cheio de verdade e sofrimento, que fui ver outras obras deste autor. Esta me encantou.

Amostra sem valor

Eu sei que o meu desespero não interessa a ninguém.
Cada um tem o seu pessoal e intransmissível:
com ele se entretém
e se julga intangível.

Eu sei que a Humanidade é mais gente do que eu,
sei que o Mundo é maior do que o bairro onde habito,
que o respirar de um só, mesmo que seja o meu,
não pesa num total que tende para infinito.

Eu sei que as dimensões impiedosas da Vida
ignoram todo o homem, dissolvem-no, e, contudo,
nesta insignificância, gratuita e desvalida,
Universo sou eu, com nebulosas e tudo.
António Gedeão
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