quinta-feira, 14 de maio de 2009

CERIMÔNIA DO CHÁ

Senhora vestindo o kimono durante cerimônia do chá ao ar livre, sentada na posição seika.

Visão interior de uma típica sala de Cerimônia do Chá, com tatami, e tokonoma com arranjos de flores

Foto de uma cerimônia do chá. (Colher de chá), sensu (dispensa), garrafa de servir, chasen (whisk) e fukusa (Tecido Roxo)

Os encontros de chanoyu são chamados chakai (茶会, “encontro para chá”) ou chaji (茶事, “assuntos do chá”).


Para participar como convidado em uma cerimônia formal é preciso conhecer os gestos e frases pré-definidos, a maneira apropriada de portar-se na sala de chá, e como servir-se de chá e doces.

O texto que cito logo abaixo é de Terezinha Pereira

Dia desses, a mestramiga convidou suas discípulas
Para, junto a ela, participarem de uma “cerimônia do chá”.
Que fossem de branco e que levassem lápisde variadas cores e uma xícara desalada.
Seria para dividirem, além do chá, o silêncio das falas,
as notas das melodias, olores e sabores diversos,
a diversidade das cores inventadas pelo deus que habita cada ser,
a partir da trindade primária dos pigmentos.
Além disso, precisariam colocar os pés no chão, pedregoso, áspero,
atapetado e caminhar, passos lentos, à luz do fogo de velas,
em direção a seu eu interior e, nesse ponto, atinar o seu ponto da emoção.
Então, por isso mesmo, ninguém foi meio a esmo.
De primeiro, a mandala, cada uma delineada de um jeito,
em preto no papel branco, foi oferecida às convivas.
Era o momento de se usar as cores, pensar seus desejos,
Dos simples aos mais íntimos, ao som de música criada além mar.
E o tempo, o tempo, o tempo……..
Esse se vai, despercebido.
Nem mesmo a mandala estava já coberta de cores.
Chegada era a hora de sentir os pés no chão.
Dar os passos.
Num silêncio de vozes,
ao som de música branda e pura, vinda de terra distante.
Num repente, voz desconhecida, entremeia a música.
Chega para conduzir as caminheiras, em ajustado compasso,
ao destino daquele ir, meditar.
Singular momento……..
Cada ser dentro de seu próprio ser, de seu deus,
criado à sua imagem-semelhança.
Não importa o nome: Deus, Jesus, Flor de Lótus,
Canjerê, Kyrie, Tupã, Javé, Ganesha, Buda……..
Imóveis, olhos fechados, o toque de um sino, seguido da voz da mestra.
Chegara a hora do chá, do retornar ao mundo de fora do corpo.
No abrir dos olhos, vê-se o fogo de velas.
Não se pode dizer, se clareia ou penumbra o ambiente. Apazigua.
Cada uma, uma a uma, é convidada a buscar, na mesa posta,
sua xícara desalada e a seu lugar retornar.
A música que sai do aparelho de som , no servir do chá,
chaleira borbulhante, nesse momento é daqui da terra.
“Theotókos”, que para os do além mar é mãe de Deus,
chega ao som de instrumentos de Urbano Medeiros, que lhe deu vida.
Deveras.
Chegou no momento e no lugar perfeito para ser ouvida.
O sabor dos petiscos exigem, antes, o sentir do seu cheiro.
Disseram, as que lá estiveram, nunca haverem
compartilhado de banquete de tamanho apreço.
Nem faltou o sentir dos laços do abraço, da permuta dos ganhos.
Houve risos, lágrimas, ternura e muito mais. Um sentimento de paz.
E cada uma, praticamente sem dizer mesmo quase nada,
no findar da “cerimônia do chá”, saiu de lá, renovada.
E seu entranhado eu não ficou por isso mesmo.






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