sábado, 4 de abril de 2009

SE ALGUMA VEZ, NOS SALÕES DE UM PALACIO


Se alguma vez, nos salões de um palacio,

sobre a erva de uma vala ou na solidão morna do vosso quarto,

acordardes de uma embriaguez evanescente ou desaparecida,

perguntai ao vento, a vaga, ao passaro, ao relogio,

a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola,

a tudo o que canta, a tudo o que fala,

perguntai-lhes que horas são; e o vento a vaga, a estrela,

o passaro, o relogio, vos responderão: São horas de vos embriagardes!

Para não serdes escravos martirizados do tempo,

embriagai-vos; embriagai-vos sem cessar!

Mas de quê?

De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa escolha.

Mas embriagai-vos!

Deslumbrai-vos!


Baudelaire
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